Após drama familiar, estrela do Bahia emociona torcida com feito histórico
Os investimentos do Grupo City em todas as categorias do Bahia têm permitido que histórias de superação sejam evidenciadas em campo. Superando o abandono parental, hoje Rhaizza se firma como uma das principais jogadoras do elenco das Mulheres de Aço.
Em entrevista cedida ao ‘ge’, a atacante de 26 anos revelou momentos dramáticos de sua vida pessoal antes de se profissionalizar como jogadora. Quando ainda tinha 6 anos de idade, Rhaizza foi abandonada pelo próprio pai, sendo vedada a possibilidade de ter uma figura masculina para se basear.
Com o apoio de seu irmão mais velho, a atleta do Bahia descobriu o amor pelo futebol, mas um outro choque de realidade pairou sob sua cabeça. Aquele que detinha sua admiração e confiança veio a falecer, deixando Rhaizza desamparada, mas com o dever de se tornar o pilar para sua mãe.
“A intimidade com a bola foi com ele [irmão]. A gente ficava brincando no quintal, então comecei ter essa intimidade, comecei a gostar. Até que ele veio a falecer.. Ela [mãe] vendia muito sacolé. Também fez trabalho de babá, cuidando do filho de algumas vizinhas, trabalhava de costureira também. Cada período, uma coisa”, revelou.
Enxergando a realidade nua e crua, a jovem teve que lidar com a fome batendo em sua porta, mesmo com a mãe se desdobrando em vários bicos. Com a persistência de seus esforços e a vontade de seguir o sonho de se tornar profissional, a atacante conseguiu projetar um futuro melhor a quem tanto lutou por ela.
“Às vezes só tinha feijão com angu para a gente comer, muita salsicha também. Eu sabia do esforço que minha mãe fazia para poder botar comida dentro de casa. Logo depois da Taça das Favelas, eu tive uma proposta para jogar no Vasco. Meu treinador não quis passar meu número. Então minha mãe falou: “Não. Vai passar, sim”. Depois que ele deu as costas, ela passou meu contato. Foi então que fiz os testes e passei”, contou Rhaizza.
Os frutos sendo colhidos no Bahia
Após tamanha superação, a recompensa não poderia ser outra. Ao longo dos últimos anos a atleta passou por Real Brasília, Flamengo, Vasco, Kf Murlani (Albânia) e Beylerbeyi (Turquia), até chegar ao Bahia no início deste ano. Pelo tricolor, a craque se tornou a artilheira, caindo nas graças dos torcedores sem muitas dificuldades.
“Eu nunca imaginei passar por isso, mas são essas coisas que Deus faz. […] Foi com aquela torcida, todas gritando o meu nome. Isso nunca aconteceu isso comigo no Brasil. Sua família, seus amigos, todo mundo vendo. Não tem explicação para isso. Só sei sentir”, disse a craque, emocionada ao lembrar da classificação inédita no Bahia ao mata-mata do Brasileirão.
Seguindo o cronograma da CBF, a atacante e demais companheiras estão de férias, aguardando o detalhamento das quartas de final serem revelados. A partida da ida terá o mando de campo pertencendo ao Bahia, enquanto a volta será na casa do Corinthians.